Minc prevê desmatamento de 15 mil km² da Amazônia em 2008
Em sabatina realizada pelo jornal “Folha de S. Paulo” no último dia 24, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que considera a possibilidade de o desmatamento entre agosto de 2007 e julho de 2008 ser da ordem de 15 mil km² – as previsões anteriores eram de 11 mil km². A entrevista durou cerca de duas horas e não citou questões relacionadas à preservação de outros biomas brasileiros, como o Cerrado.
Atrasado, achei um lugar numa das últimas fileiras do Teatro Folha. Estava ao lado de uma moça, em boa hora nipo-descendente; atrás de um homem barbudo; e umas duas fileiras à frente do repórter do “CQC”. Durante algum tempo, estive desconcentrado pensando na resposta que eu daria à maliciosa pergunta daquele repórter. A certa altura, eu já estava preparadíssimo. Então, comecei a prestar atenção no que falava Carlos Minc (e os jornalistas que o cercavam).
Falavam, é claro, da Amazônia. “Senhor Ministro, para quê serve a floresta intacta?”, perguntou o mais animadinho dos entrevistadores. “Uma pergunta ingênua, mas – considerando o conhecimento do brasileiro médio – necessária”, avaliou Minc, arrancando aplausos da platéia. Entre outras coisas, Minc falou que estamos destruindo espécies ainda não catalogadas, das quais ainda não conhecemos propriedades que possam ser úteis economicamente. Essa é a tônica do debate: tem que haver valor econômico. Outro entrevistador quis saber se não há uma desnecessária demonização do agronegócio quando se fala de preservação da Amazônia, o que poderia prejudicar a economia brasileira. Tive vontade de fazer umas comprinhas no belo e caríssimo shopping center que nos cercava.
Falou-se sobre como o Ministério iria proceder com licenciamentos ambientais, que, segundo Minc, seriam mais rápidos e mais rigorosos. Percebi que ele falava como simples administrador, um burocrata, e não como um idealista que fala em sonhos sem se mostrar constrangido, coisa que deveria ser muito louvável dos políticos. Medidas paliativas, política de compensações, discurso bem digestivo. O constrangimento era meu, senhores jornalistas, enquanto estudante de jornalismo. O constrangimento era todo meu, na condição de recém-qualificado investigador jornalístico do Cerrado. Ainda que tenham citado aleatoriamente o Cerrado, Minc, os jornalistas e o público estavam mesmo era falando de coletes. Quarenta e quatro coletes.
Ao final, não precisei da resposta planejada, do cabelo penteado nem do colete: o repórter do “CQC” entrevistou outras pessoas. Como não leram minhas perguntas durante a sabatina, voltei para casa pensando que, talvez, falar do Cerrado não era tão importante nessas conversas mais sérias. Quem sabe Minc não tenha falado sobre o bioma na ofegante entrevista ao “CQC”?
Em sabatina realizada pelo jornal “Folha de S. Paulo” no último dia 24, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que considera a possibilidade de o desmatamento entre agosto de 2007 e julho de 2008 ser da ordem de 15 mil km² – as previsões anteriores eram de 11 mil km². A entrevista durou cerca de duas horas e não citou questões relacionadas à preservação de outros biomas brasileiros, como o Cerrado.
Atrasado, achei um lugar numa das últimas fileiras do Teatro Folha. Estava ao lado de uma moça, em boa hora nipo-descendente; atrás de um homem barbudo; e umas duas fileiras à frente do repórter do “CQC”. Durante algum tempo, estive desconcentrado pensando na resposta que eu daria à maliciosa pergunta daquele repórter. A certa altura, eu já estava preparadíssimo. Então, comecei a prestar atenção no que falava Carlos Minc (e os jornalistas que o cercavam).
Falavam, é claro, da Amazônia. “Senhor Ministro, para quê serve a floresta intacta?”, perguntou o mais animadinho dos entrevistadores. “Uma pergunta ingênua, mas – considerando o conhecimento do brasileiro médio – necessária”, avaliou Minc, arrancando aplausos da platéia. Entre outras coisas, Minc falou que estamos destruindo espécies ainda não catalogadas, das quais ainda não conhecemos propriedades que possam ser úteis economicamente. Essa é a tônica do debate: tem que haver valor econômico. Outro entrevistador quis saber se não há uma desnecessária demonização do agronegócio quando se fala de preservação da Amazônia, o que poderia prejudicar a economia brasileira. Tive vontade de fazer umas comprinhas no belo e caríssimo shopping center que nos cercava.
Falou-se sobre como o Ministério iria proceder com licenciamentos ambientais, que, segundo Minc, seriam mais rápidos e mais rigorosos. Percebi que ele falava como simples administrador, um burocrata, e não como um idealista que fala em sonhos sem se mostrar constrangido, coisa que deveria ser muito louvável dos políticos. Medidas paliativas, política de compensações, discurso bem digestivo. O constrangimento era meu, senhores jornalistas, enquanto estudante de jornalismo. O constrangimento era todo meu, na condição de recém-qualificado investigador jornalístico do Cerrado. Ainda que tenham citado aleatoriamente o Cerrado, Minc, os jornalistas e o público estavam mesmo era falando de coletes. Quarenta e quatro coletes.
Ao final, não precisei da resposta planejada, do cabelo penteado nem do colete: o repórter do “CQC” entrevistou outras pessoas. Como não leram minhas perguntas durante a sabatina, voltei para casa pensando que, talvez, falar do Cerrado não era tão importante nessas conversas mais sérias. Quem sabe Minc não tenha falado sobre o bioma na ofegante entrevista ao “CQC”?
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