O aumento da produção de grãos entre 2006 e 2007 mostra que não há falta de alimentos; há intensificação das regras do mercado no comércio de alimentos. Entre os fatores responsáveis pela alta nos preços dos alimentos, estão a especulação financeira sobre o valor desses produtos e a preferência dos governos pelo agronegócio, em detrimento da agricultura familiar – responsável por cerca de 70% da comida dos brasileiros. Segundo a “Adital”, no ano 2000, havia cerca de 5 bilhões de dólares especulando em torno da variação do preço dos alimentos. Em 2007, esse valor passou para 175 bilhões de dólares.
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Infelizmente, a alta dos preços dos alimentos em escala mundial é algo que veio para ficar por um tempo. A Organização das Nações Unidas (ONU) não vislumbra perspectiva de uma solução a curto prazo para a crise (vale lembrar que o seu secretário-geral, Ban Ki-moon, parece não ter aceitado carona no veículo movido a biocombustíveis, cortesia do Presidente Lula). Em meio ao capital especulativo – que aposta na variação do preço dos produtos agrícolas –, os alimentos ganham valores financeiros alheios à fome que atinge cerca de um terço dos seres humanos. Em meio ao incentivo, por parte do governo brasileiro, do agronegócio, a agricultura familiar – nossa grande fornecedora de alimentos – está praticamente entregue à própria sorte.
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O pequeno produtor conta com uma linha de crédito muito atraente no banco. Conta com um amplo mercado consumidor. Conta com solo fértil e com chuvas. Conta com insumos agrícolas nas prateleiras dos mercados. Conta com um sistema que garanta a viabilidade econômica da iniciativa de produzir alimentos. No entanto, o produtor nunca conta que sucessivos empréstimos bancários podem tornar-se um ciclo, que pode acabar num endividamento que o impede de recorrer a novos financiamentos. Não conta que o mercado pode retrair-se e a procura, diminuir. Não conta com amplos períodos secos, que vêm se intensificando graças aos inconseqüentes desmatamentos. Não conta com os altos preços de adubos, sementes ou equipamentos. Não conta com práticas governamentais de assistência à iniciativa de plantar alimentos. Não.
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O produtor carrega o caminhãozinho e parte para São Paulo. Marginal Pinheiros. Ceasa. À frente dele, cinco caminhões; atrás, milhões deles. Nos caminhões, frutas, legumes, verduras, ovos e uma fome de almoçar. Finalmente, o produtor chega ao posto do setor em que vai negociar o preço dos seus produtos. Suponhamos: alho. O preço é este. Mas está muito caro – tem que baixar. Seu moço, isso é muito pouco e não vai dar para baixar. Ah, dá! Mas isso não paga nem o custo da produção. Pois então o senhor dá licença, que há milhões de outros caminhões com alho atrás do senhor para negociar.
O produtor carrega o caminhãozinho e parte para São Paulo. Marginal Pinheiros. Ceasa. À frente dele, cinco caminhões; atrás, milhões deles. Nos caminhões, frutas, legumes, verduras, ovos e uma fome de almoçar. Finalmente, o produtor chega ao posto do setor em que vai negociar o preço dos seus produtos. Suponhamos: alho. O preço é este. Mas está muito caro – tem que baixar. Seu moço, isso é muito pouco e não vai dar para baixar. Ah, dá! Mas isso não paga nem o custo da produção. Pois então o senhor dá licença, que há milhões de outros caminhões com alho atrás do senhor para negociar.
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