sexta-feira, 20 de junho de 2008

ESCOLA

Professores entram em greve contra decreto do governo paulista

No dia 16 de junho, os professores da rede estadual de educação iniciaram uma greve por tempo indeterminado em São Paulo. Segundo a APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a categoria pede a revogação do decreto 53037/08, que entre outras mudanças, restringe a transferência de professores ingressantes na rede estadual a partir de 2008 e impõe a aplicação de uma prova para a contratação de professores temporários – o critério anterior era os anos de experiência. As outras reivindicações já são familiares: reajuste salarial e melhoria nas condições de trabalho.

A tia Izabel, do pré, foi minha professora. Depois, na primeira série, conheci a tia Suzi. Na segunda série, mudei de cidade e a tia da vez era a Denise. Na terceira, foi a tia Talginha Na quarta série, não lembro mais se a chamava de tia, a professora era a Maria do Carmo. Uma homenagem justa seria eu citar todas e todos que me ensinaram tanto, mas sinto que a educação fundamental foi a mais importante para mim.

Algumas imagens permanecem na minha memória, entre elas, as das professoras saindo correndo da escola para pegar um ônibus para a faculdade de pedagogia. Outra imagem, que me comove até hoje, é a do semblante preocupado, da tia Denise, quando percebia que havia algum problema na aprendizagem de algum aluno. Franzia o cenho e ficava estática. Lembro dos lábios, cor de laranja, se abrindo lentamente, como quem tem uma solução. No entanto, eles se fechavam, aliás, era preciso pensar muito antes de interferir no delicado processo pedagógico que envolve uma criança.

De repente, 15 anos se passaram. Sim, parece muito tempo, mas foi repentino. Reencontro a professora Denise. Em um primeiro momento, foi uma grande alegria e ela tinha nos lábios o mesmo batom laranja. Contudo, o depois foi bem triste. Ele foi assim pela desencantada conclusão dela: “Não vale mais a pena ser professora”.

Saí de lá imaginando quantas vezes esse desalento acomete os professores do nosso país. Tentei animar a tia Denise, contudo, senti um vazio naquilo que tentei. Agora, é a greve paulista contra tudo aquilo que conhecemos: salas de aula lotadas, violência contra professores, salários baixos, precariedade estrutural, sistemas questionáveis de avaliação etc. E a novidade! Contra o decreto 53037/08 do governador José Serra, que praticamente joga o Estatuto do Magistério no lixo, e contra aquela secretária estadual de discurso moderninho.

Enquanto isso, o jornalismo continua sendo parcial e preconceituoso.

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