Blitz do Ministério do Trabalho e Emprego flagra trabalho infantil em matadouros
Entre maio e junho desse ano, fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) localizaram crianças e adolescentes trabalhando em abatedouros municipais em três cidades do interior do Rio Grande do Norte – Nova Cruz, João Câmara e São Paulo do Potengi. Além de abrigar trabalho infantil degradante – considerado um dos piores pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) – os matadouros não respeitavam condições sanitárias mínimas e estavam envolvidos com o mercado clandestino.
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Na minha feliz infância costumava brincar de vender peixe no tanque de casa. As pecinhas coloridas do lego eram os peixes e a faca era uma faquinha de plástico de rocambole Pullman. Até balança (quebrada) eu tinha. A brincadeira surgiu da minha admiração pela habilidade com que o casal chinês, da barraca de peixes da feira, manuseava a faca. Criança parece carregar beleza nos olhos e acaba admirando o trivial. Dessa admiração pode nascer a inventividade, como no conto “A ponte do meu rimão”, de Ana Maria Machado, onde um menino cria histórias que acontecem numa ponte que, na verdade, é uma tábua de madeira no quintal.
Entre maio e junho desse ano, fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) localizaram crianças e adolescentes trabalhando em abatedouros municipais em três cidades do interior do Rio Grande do Norte – Nova Cruz, João Câmara e São Paulo do Potengi. Além de abrigar trabalho infantil degradante – considerado um dos piores pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) – os matadouros não respeitavam condições sanitárias mínimas e estavam envolvidos com o mercado clandestino.
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Na minha feliz infância costumava brincar de vender peixe no tanque de casa. As pecinhas coloridas do lego eram os peixes e a faca era uma faquinha de plástico de rocambole Pullman. Até balança (quebrada) eu tinha. A brincadeira surgiu da minha admiração pela habilidade com que o casal chinês, da barraca de peixes da feira, manuseava a faca. Criança parece carregar beleza nos olhos e acaba admirando o trivial. Dessa admiração pode nascer a inventividade, como no conto “A ponte do meu rimão”, de Ana Maria Machado, onde um menino cria histórias que acontecem numa ponte que, na verdade, é uma tábua de madeira no quintal.
Será que as crianças que viraram notícia – por conta da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – transformavam as marretas em martelos de plástico, imaginavam que os bichos mortos iam para o céu dos animais ou que o sangue no chão era um rio? Existia alguma brincadeira possível ou beleza trivial dentro daquilo que foi chamado de “circo de horrores”? Provavelmente não. O que elas conhecem é a fome, que poderia ser morta com as sobras de animais. O que elas não conhecem é um direito só delas:
Art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”
Segundo artigo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), o trabalho infantil “expõe a infância a uma condição moralmente degradante, prejudica a escolaridade”, além de marcar a vida de milhares de brasileiros fisicamente e psicologicamente. É claro que tudo isso é muito importante, mas eu ainda acrescentaria: o trabalho infantil não deixa a criança ser criança. E os trabalhos infantis mais degradantes, não deixam o ser humano ser humano. Até quando cometerão tão grave crime?